quinta-feira, 30 de abril de 2015

A menina revoltada com a amiga, que mente que tem um bom cargo numa multinacional.



  Oi!

  Recebi um outro e-mail ninja ("ninja" é o meu jeito de dizer que é muito legal, ok ?) de uma mulher (vou chamá-la de menina). Essa menina tá revoltada com uma amiga que, segundo ela (a menina que me mandou o e-mail), a amiga senta na mesa do bar toda semana e mente na cara de pau pra todo mundo que trabalha num alto cargo de gerência de uma multinacional (que ninguém conhece). A minha leitora quer saber porque amiga dela faz isso. Esse é o caso de hoje.

  Quando nascemos, somos uma coisinha fofinha que dá vontade de apertar. Com o tempo, ficamos menos fofinhos (alguns continuam fisicamente fofinhos...), e somos convidados a não ter outra opção senão frequentar uma Instituição chamada "Escola". Se você analisar com muita calma, pode notar que a esmagadora maioria das suas melhores e maiores amizades se fizeram na escola: seja no pré-primário, no ensino fundamental, no ensino médio (Colegial), no Cursinho (se você acabou de chegar de Saturno e não sabe o que é Cursinho, eu tento explicar: Cursinho é uma empresa (que tem finalidade exclusiva de lucrar) que ensina de verdade (com finalidade prática: passar no Vestibular) as matérias que a Escola Normal ensina de "mentira") ou na Universidade e Faculdade (Graduação, Pós-Graduação, etc.). E a experiência prática mostra que, em regra, a ESCOLA É UMA MÁQUINA DE SOCIALIZAÇÃO: fazer amizades, colegas, arrumar namorados e namoradas, montar bandas, criar um Google ou Facebook, etc. Digo "em regra" porque, se você pesquisar bem, vai achar algumas Escolas, Professores e métodos bem ninjas por aí. O que quero dizer sobre a Escola é que, em regra, são os alunos extraordinários que fazem da Escola uma grande Escola, e não contrário. E esses alunos extraordinários provavelmente seriam extraordinários em outras Escolas similares.

  Mas além disso, tem uma coisa safada com relação à Escola e que é a minha maior crítica à Escola (que discuto semanalmente com meus maiores amigos e colegas de diversas áreas do conhecimento): A ESCOLA (E OS PROFESSORES) MENTEM PARA OS ALUNOS. A Pedagogia (Pedagogia é a Ciência que estuda a Educação e a Aprendizagem) aplicada ainda hoje nas Escolas é platônica (referência à Platão, o filósofo grego do Ideal), portanto mentirosa e utópica, pois pinta um mundo perfeito que simplesmente não existe nem mesmo dentro da sala de aula. Isso pode ser comprovado pelo crescimento generalizado do número de casos de violência na sala de aula entre professor e aluno, principalmente (mas não só) na Escola Pública.

  Lembro uma vez (nos idos de 1999) que, ao entrar numa sala como professor substituto de Matemática (porque a professora faltou) para dar a última aula (umas 9 horas da noite de uma sexta-feira) para uma turma medonha do 3º Colegial Noturno de uma Escola Pública de uma cidade do interior do Brasil, a Inspetora de Alunos (aquela tiazinha ou tiozinho que fica fiscalizando os alunos no corredor da Escola...) me pegou pelo braço e disse "Cuidado hein... esse 3º Colegial é perigoso". Quando entrei na sala, parecia um show simultâneo do Racionais MC (banda de Rap brasileira) com Pantera (banda de metal americana): gente grande, cara de mal, revoltada, com fome, com sede, hostil, com ódio, punho fechado. Em tese, eu tinha que ensinar a "Soma da Progressão Aritmética (PA)" (lembra ? A fórmula é Sn = (a1 + an) (n/2)... tem a historinha do grande matemático Gauss que, aos 6 anos de idade, calculou a soma 1+2+...+99+100=5050 de cabeça, etc. etc.). O ideal da Pedagogia Platônica dominante me sugeria em ser tradicional: "Olá ! Boa noite ! Tá friozinho, né ? Então gente... a professora faltou e eu vou substituí-la hoje... e hoje temos... P-R-O-G-R-E-S-S-Ã-O A-R-I-T-M-É-T-I-C-A... que legal, né ?". Pois é... tranquilamente naquela sala algumas pessoas deveriam saber ou se interessar em saber o que é "Progressão de Regime Prisional" (em Direito Penal, é quando um preso ou presa, na cadeia, vai de um regime tipo fechado para o regime semi-aberto ou aberto) mas "Progressão Aritmética" ? Nem fudendo...
 Nos 20 segundos entre eu entrar na sala e deixar minha mochila na mesa do professor, foi uma vaia geral e muito, muito, muito forte, além de ser alvo de uma artilharia de objetos: papéis, canetas, pedaços de carteira, cigarros, chinelos e até um preservativo um aluninho mais serelepe me arremessou (uma moça grávida, com um barrigão, até veio me consolar...). Pois bem, depois da primeira ofensiva bárbara, pensei que aquelas pessoas revoltadas não estavam revoltadas comigo, mas com a imagem do conservadorismo e idealismo utópico que os professores de classe média (que estacionavam os seus carrões na frente da escola) representavam diante da realidade pobre e odiosa daquelas pessoas. Lembrei-me então do Ari: Aristóteles. Contam os filósofos e historiadores que o Aristóteles foi aluno (discípulo) de Platão e, resumidamente, discordou do Platão com relação àquela conversa do idealismo: pra Aristóteles, a verdade tá aqui embaixo, no mundo real, no mundo físico, da experiência prática, e pra Platão existe um mundo ideal, das idéias, perfeito, etc. Até Kant, no século XVIII, dar uma bicuda (bicuda é um chute de baixo pra cima que quebra tudo, ok ?) nesse assunto, o Ideal de Platão e o Real de Aristóteles dividiram o pensamento do mundo: e quer saber ? Pra quem não conhece as idéias de Kant (talvez 90% da Humanidade), os pensamentos de Platão e Aristóteles ainda dividem e governam o mundo, comprovadamente pela rivalidade mundial atual entre teístas e ateístas.
O Aristóteles me ajudou naquela turma de 3º colegial revoltada porque lembrei de uma frase atribuída à Filosofia de Aristóteles:

"Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito".

  Pensei: essa moçada não entende a hipocrisia da classe média, e os seus sorrisos e cumprimentos falsos... eles querem REALISMO, CHOQUE, PORRADA, SHOW, AVENTURA, EMOÇÃO, AÇÃO: essa é a linguagem que ENTENDEM... esse é o HÁBITO DE VIDA DELES. Como quem tira um CD do "Slayer" (Slayer é uma banda de Trash Metal norte-americana muita famosa entre os fãs no Rock-Metal, conhecida pela brutalidade da sua música) do Bolso e, diabolicamente, caminha até o aparelho de som numa festa de aniversário de uma princesinha de 15 anos, quando a segunda ofensiva bárbara começava o seu ataque, em câmera lenta peguei um giz e calmamente desenhei na lousa um pinto ereto gigantesco do tamanho total do quadro negro (lousa), com os testículos imensos e peludos em baixo. Conforme o pinto ereto tomava forma no quadro negro, a ofensiva foi diminuindo, o barulho foi diminuindo, os sons sumindo... até que, num silêncio total intergalático, uma voz escrota masculina desabafou lá do fundo da sala: "véio... esse é doido memo... o cara é cabuloso...". Isso foi equivalente ao Chefe de uma tribo canibal me passar o Cajado do poder no meio de uma dança em volta da fogueira durante um sacrifício humano: eles me viram como um IGUAL, E ME RESPEITARAM. Nos vinte minutos finais que eu tinha, consegui até resolver um exercício da FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular, que faz o Vestibular da USP - Universidade de São Paulo) sobre a soma da Progressão Aritmética, e no final um casal vestidos com jaquetas dos Racionais MC me agradeceram e disseram que nunca tinham achado Matemática tão legal (talvez por eles nunca terem entendido a linguagem social de quem ensinava Matemática). É óbvio que o assunto se espalhou, e o Jesus Cristo aqui foi devidamente crucificado: a Diretora da Escola me chamou na semana seguinte e disse que a professora quem eu substituí ficou muito brava porque eu ensinei "mais do que devia" e que "os alunos não querem mais ter ela como professora". Por fim, com um semblante (cara) maternal a Diretora da Escola Pública me disse:"Não leve a mal... você é bom... mas não aqui... tá bom ?". Hehehe... que gostoso... que gostoso...

 Contei tudo isso pra tentar mostrar que a Educação formal é Platônica, Ideal, mas nos afasta do mundo Real, das coisas mundanas, das pessoas de carne e osso que tem problemas reais e que adorariam Ciência e Filosofia se, de algum modo, a Ciência e a Filosofia pudessem de fato ajudá-las ou resolver os seus problemas reais, materiais, humanos. E quero deixar claro que não acho que é culpa exclusiva dos professores ou diretores de escola. Não ! A Educação é LEI (lei jurídica). No Brasil, é a lei federal nº 9.394/96: Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Nacional, baseada nos artigos 205 a 214 da Constituição Federal de 1988 - CF/88 (a Lei Máxima do Brasil). Então veja... a questão é muito mais sinistra e profunda... a hipocrisia e o erro estão na Lei, na Constituição Federal: a diretora da Escola se baseou na LDB pra me mandar embora da escola. A questão não é PEDAGÓGICA, é POLÍTICA (são deputados federais e senadores que fazem as leis).É triste, mas é real, e o resultado são multidões de pessoas que aprendem sobre um mundo lindo, de ética, cidadania e mundos encantados em todas as fases da sua educação e, quando caem no mundo adulto, tem boletos que chegam sem parar, multas de trânsito, cobranças pelas palavras ditas e atitudes cometidas, concorrência monstruosa no mercado de trabalho e muitas vezes dentro da própria família: ou seja o mundo REAL de Aristóteles. E como já percebeu e ensinou Aristóteles: você é o que você faz (e pensa) muito. Se a amiga da menina que me escreveu tem o hábito de mentir que trabalha numa multinacional, ela desenvolve e desenvolveu uma certa excelência em mentir, ou seja, é uma mentirosa.

 Um pensador brasileiro chamado Paulo Freire propôs a seguinte idéia: Pedagogia do Oprimido. Basicamente, o Paulo fala que os educadores devem assumir um papel combativo, revolucionário, e conscientizar os alunos e pessoas sobre uma ideologia opressora. As idéias do Paulo são totalmente influenciadas por Karl Marx (o teórico do Comunismo, Socialismo, tomada do poder pelo proletariado, etc.) e, posso falar ? Acho que a idéia (Pedagogia do Oprimido) do Paulo é legal, mas apontar culpados como solução (ideologia opressora) não é legal. Não tem inimigo quando se fala em Educação: podem existir empresas querendo lucrar (Escolas Particulares, Cursinhos, Universidades, etc.), professores ruins e desmotivados, falta de Investimento Público e Corrupção dos agentes públicos, leis retrógradas, mas não uma "ideologia opressora". Pra chegar a Kant, tudo o que eu fiz foi ir à Biblioteca (e escapar dos discursos nazistas, circulares e infinitos do meu pai) e ler um pouco sobre introdução à filosofia: não tive que jogar pedra em nenhum banco ou odiar o capitalismo. Humildemente, acho que a Pedagogia do Oprimido politiza demais (e "de menos") o aprendizado, e isso não é legal.

  A amiga da minha leitora precisa de uma dose cavalar de Aristóteles: talvez a vida "sem graça" dela possa ser muito mais divertida e emocionante que uma mentirinha sem sal. Hábito: a chave da evolução das espécies e da adaptação. Amiga leitora, primeiro prova para a sua amiga que ela não trabalha em nenhuma multinacional. Depois, vão juntas no cinema, fazer um curso de gastronomia, num club de swing, num Salão do Automóvel, pular de pára-quedas, montem uma barraca de cachorro-quente com o jeitão de vocês... se inscrevam no Médico sem Fronteiras...  mostre à sua amiga outros hábitos, além da mentira, nos quais ela pode desenvolver a excelência.

  Nada contra Platão tá... O cara é bom... rsrsrs...


           Abraços.

 
    Mande o seu caso: capitalismoglobalizado@gmail.com



  Referências:
 
   http://www.brasil.gov.br/educacao/2012/04/etapas-do-ensino-asseguram-cidadania-para-criancas-e-jovens

   http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensino_fundamental

   http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm

   http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o

   http://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles

   http://www.suapesquisa.com/aristoteles

   http://pensador.uol.com.br/aristoteles_frases/

   http://www.fuvest.br/

   http://www5.usp.br/

   http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedagogia_do_Oprimido

    https://franfreire.wordpress.com/2013/04/05/resumo-critico-do-livro-pedagogia-do-oprimidoresumo-critico-do-livro-pedagogia-do-oprimido/

    http://www.vagalume.com.br/racionais-mcs/

    http://pantera.com/

   http://pt.wikipedia.org/wiki/Pantera_%28banda%29

   http://www.slayer.net/us/slayeralbum15

   http://www.brasilescola.com/matematica/progressoes-aritmeticas.htm

   http://www.somatematica.com.br/emedio2.php




quarta-feira, 29 de abril de 2015

O Caso do Músico, que trabalha com Logística.


       De modo surpreendente (ao menos pra mim), recebi alguns e-mails já hoje de algumas pessoas pedindo que fossem analisados alguns casos. Uau... tem coisas bem interessantes. Escolhi começar por um cara que disse que tem um amigo que é formado em Logística e toca violão na noite de uma pequena cidade do Brasil e diz que não gosta de cidade grande, e tocando ele ajuda com algumas despesas em casa (ele tem mulher e filho pequeno), mas ele também tem a pretensão de seguir a carreira musical de forma mais séria e profissional.

      Vamo lá.

      Como tenho vários amigos, colegas e conhecidos músicos (e também sei tocar algumas músicas do Mamonas Assassinas no violão), fico mais à vontade ainda pra falar desse causo.

      Acho legal citar o Daniel Kahneman. O Kahneman ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2002 (partilhado com Vernon Smith) por seus trabalhos sobre a psicologia da decisão em finanças juntamente com o seu amigo Amos Tversky. O Prêmio Nobel é concedido pela Acadêmia de Ciências da Suécia e Noruega desde 1901, nas áreas de Física, Química, Literatura, Paz e Medicina. O Daniel resumiu os estudos dele num livro chamado "Rápido e Devagar - Duas Formas de Pensar". Por favor, leiam esse livro: é libertador. Em resumo, o Kahneman descobriu, por meio de experiências comportamentais, que a mente humana basicamente pensa de dois jeitos: rápido e devagar. O jeito rápido é quase irracional, é instintivo, e o jeito devagar é analítico, preciso, criterioso, matemático. Outra coisa ninja que o Kahneman fala é que qualquer tipo de juízo ou opinião emitida por uma pessoa necessariamente tem por base algum tipo de parâmetro. Por exemplo: só existe possibilidade de você dizer que a cor amarela é mais ou menos agradável, mais ou menos bonita se você conhece ao menos mais uma outra cor, como o verde, vermelho, etc. Acho que essas duas descobertas por si só são revolucionárias: as pessoas opinam (e decidem) com base em parâmetros, e a consciência (a mente) humana se manifesta de duas formas claramente distintas: rápido e devagar. Mas e o nosso amigo músico ? O que ele tem  a ver com isso ?

     É importante saber que PARÂMETRO levou o nosso músico a gostar de música: se foi a influência de um amigo, de um parente, de uma banda famosa, se foi uma fuga pra esquecer um pai alcoólatra, pra fazer sucesso com as meninas, se foi uma forma de chamar atenção das pessoas, por uma desilusão amorosa, pra relaxar, enfim. É importante saber os parâmetros psicólogicos que levaram o nosso amigo a gostar de música e de violão (o instrumento que ele toca), e também os parâmetros ATUAIS que levam o nosso amigo a continuar tocando do modo como ele faz: tocando na noite nas horas vagas do trabalho. Qual foi e é o parâmetro ? Pra pensar em "carreira", em especial a "carreira musical", parâmetro é mortalmente fundamental. E, dentro das formas de pensar do Kahneman, pense na "carreira musical" MUITO DEVAGAR (de forma muito precisa).

    É legal pensar nesses parâmetros e/ou e visualizá-los e procurar compreendê-los da maior e melhor forma possível, porque esses parâmetros determinaram e ainda determinam as possibilidades profissionais e/ou pessoais do nosso amigo na música. Parâmetros: ter buscado aprofundamento técnico e teórico em Escolas, Conservatórios, Faculdades e/ou ter aprendido na "Prática". Veja: não é questão de certo ou errado, mais sim questão de tentar entender a mente do nosso amigo músico e os seus parâmetros dentro do mundo da música. Se liga: você provavelmente já ouviu falar de Jimi Hendrix (que foi um "Prático"), mas talvez você nunca tenha ouvido falar de Itzhak Perlman (que é um acadêmico), um dos maiores violinistas vivo do mundo. Nas Artes em Geral, e na Música em particular, fica bem claro que o que se entende por "sucesso" é totalmente relativo. Porém, isso não autoriza todo tipo de estelionato musical, como ocorre com pessoas de má-fé (inclusive em qualquer profissão). O que quero dizer por estelionato ? Quero dizer que o fato de uma pessoa ser ator, músico, pintor, escultor ou qualquer outro tipo de artista não autoriza essa pessoa a falar o que quiser sem apresentar nenhuma prova sobre o que fala: esse é um vício dos "Práticos", porque os acadêmicos apresentam os seu diplomas, títulos, entrevistas e tá resolvido, mas... e o Prático ? Um músico não tem ou teve uma "carreira" simplesmente porque ele acha e decide sozinho na casa dele que tem uma "carreira", ou porque ele tem um monte de foto guardada dele tocando nos últimos 10 anos: a carreira implica num valor ECONÔMICO agregado ao nome do artista. Eu bêbado tocando violão em todos os aniversários dos meus primos nos últimos 15 anos não constitui uma "carreira musical", mas um hobbie, um passa-tempo. A "carreira" é um conceito objetivo: e é justamente talvez pela imensa maioria dos músicos não saberem disso (ou fingirem que não sabem) que cada um fala o que quer, e existem milhares de "produtores musicais", "empresários" e outros bichos por aí nesse ramo. Na Medicina , por exemplo, é muito mais fácil: se o cara fala que é Médico, mas não tem CRM (Conselho Regional de Medicina), você chama a polícia, mas, e se o cara que tá tocando violão no restaurante onde você tá jantando com a sua família erra um acorde (por exemplo, no lugar de um C#m589%%=+%&, ele faz um Eb#@*$>>>!), o que você faz ? Pede outra cerveja de graça ? Liga pra OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) ? Chama o Procon e a Equipe do Cidade Alerta ? Percebe ?...

A ausência de regras e regulamentação (e o STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu em 2014 que o músico não é obrigado a se inscrever na Ordem dos Músicos: RE 414426 e RE 795467) leva à desorganização e muitas vezes ao estelionato artístico. Um grande artista se torna grande artista porque pensa na carreira como um conceito objetivo (e não subjetivo da cabeça dele e dos amigos dele), seja qual for o ramo e o estilo. CUIDADO: o fato de algo não ser exato (conceito de "carreira" por exemplo), não significa que não pode ser PRECISO. E "carreira" é um conceito muito preciso.

 Olha só: até Mozart saiu de Salzburgo (ou Salzburg), na Áustria, onde nasceu em 1756, e fez inúmeras viagens (com o seu pai Leopold) por praticamente toda a Europa (Inglaterra, França, Alemanha, Países Baixos, Suiça, Itália) desde a sua infância até a vida adulta. Em 1781, Mozart aproveitou que seu "patrão" foi pra Viena e arrumou um jeito de "pedir demissão" e ficar por lá (Viena). Por quê ? Porque Viena era a capital mundial da música naquele momento (parâmetro). As coisas estavam acontecendo em Viena, e até Mozart teve que entender (e aceitar) esse fato: Mozart construiu desde a infância a sua CARREIRA (ele não ficou simplesmente trancado no quarto dele em Salzburg, se olhando nú no espelho, tocando piano e se achando o melhor compositor da galáxia). Importante lembrar: nas suas zilhões de viagens, Mozart tocava para REIS, NOBRES e outras pessoas PODEROSAS (mais uma vez, ele poderia ficar tocando na beira do rio para os seus amigos em Salzburg, mas menos pessoas iriam conhecer as obras dele, mesmo sendo ele MOZART).

O nosso amigo músico que trabalha com Logística pode até não gostar de cidades grandes e capitais (pelo compreensível caos do trânsito, violência, custo de vida, etc.), mas é lá que o dinheiro, as oportunidades e contatos interessantes se concentram. Fazer o quê ? É um fato. Mesmo com o atual poder onipresente do Google-Youtube parece que carreira sólida ainda se faz tocando, aparecendo, VIAJANDO. Isso parece se comprovar observando empiricamente que as "explosões" da internet são sempre de músicas massificadas (que a massa da população consome) e, como se nota, a massa parece não ter muito gosto pra música (ou não ter bom senso mesmo...): por exemplo, Justin Bieber ou MC Guile surgiram do youtube, mas um pianista do quilate do jovem João Elias Soares (do Rio de Janeiro - RJ) não surgiu do youtube (ele pode até ser divulgado (espalhado) pelo youtube, mas não surgiu DO youtube). A "Carreira" do MC Guile depende do número de acessos do youtube, e a "carreira" do João Elias está se construindo a cada partitura, a cada nova apresentação com músicos mais técnicos que ele. Se amanhã a internet desaparecer da face da Terra, a "carreira" do MC Guile acabou, e a do João Elias continua (como aconteceu com Mozart). Mais uma vez: nada contra o Guile e a favor do João ou vice-versa (prefiro deixar meus gostos escusos e subterrâneos devidamente enjaulados). Parece existir uma tendência de que carreiras de virtuoses sejam mais fechadas (acadêmicas), e carreiras mais populares mais abertas (não-acadêmicas).

 Não se pode deixar de considerar a linda e brutal força do capitalismo globalizado nesse contexto: se algum investidor resolver derramar R$ 5 MILHÕES DE REAIS sobre a carreira de qualquer músico minimamente ótimo (porque trata-se de um INVESTIMENTO, e não um FAVOR), independentemente do estilo musical, esse artista (música, banda, dupla, trio, etc.) APARECERÁ NA MÍDIA ("Mais Você", "Faustão", "Raul Gil", "Big Brother", dentre outros e outros) e, por consequência, o valor da marca-imagem do artista-músico vai valer muito mais, e seus shows também. E por qual razão abstrata alguma pessoa provida de um cérebro saudável investiria milhões num carinha que toca violão todo sabadão na chopperia ? PORQUE O CAPITALISTA DESEJA RETORNO ECONÔMICO... e MUITO RETORNO, senão ele compraria uma fazenda ou cotas de uma indústria mais rentável. E até onde sei (pelas conversas com o pessoal da música), os esquemas entre Investidor e Artista são variações do seguinte: o investidor põe grana na carreira de um músico mortal (paga programas de Rádio, TV e outros pra divulgar o artista), LOGO, o trabalho do artista passa a ter maior valor-agregado: e em troca, o investidor faz o artista assinar um contrato no qual o artista não ganha quase-nada (além do transporte, estadia e alimentação) durante meses ou anos (às vezes, muitos anos) e todo o dinheiro dos shows e apresentações do artista vai para o empresário (investidor). Em alguns casos, o empresário (investidor) adianta um dinheiro pra crescer os olhos do artista (que na maioria dos casos, vive em situação de quase-miséria). Ou seja: o artista vira um escravo do empresário durante anos (e não pode reclamar, porque assinou um CONTRATO VÁLIDO). Essa é a realidade. E quer saber ? Acho que a maioria dos músicos aceitaria na hora essa escravidão...
 Outra opção é você tentar sair vendendo shows por aí... tente, tente, tente, tente, tente. Bares quase sempre não têm dinheiro (ou não querem investir em Shows para aumentar a clientela e as vendas) pra pagar, e Prefeituras só chamam os "amiguinhos" de sempre ou o pessoal do Clã dos Rodeios (seguuuuuuuuuuuuuura...): é mais fácil um mamute passar pelo buraco de uma agulha do que você vender um show da sua banda de "Pop Rock" numa Prefeitura do interior de Minas Gerai ou Santa Catarina. Quer apostar uma Balalaika ? Fechado !

O que voce é (ou quer ser), rapaz da Logística ? Um virtuose ? Ou um músico popular ? Se a opção for virtuose, esqueça se tornar imortal pelo youtube (o youtube só te divulga, mas você vai ter que IMPRESSIONAR OS MELHORES DO MUNDO, AO VIVO E A CORES). Se o opção for Músico Popular, APAREÇA DE TODO JEITO QUE DER (e não só na sua pequena cidade do interior), principalmente através da grande mídia: hoje em dia tem "Ídolos", "SuperStar", "PopStar", "MegaStar", "American Idol", "Star Ninjas" (inventei...) e etc. porque o músico popular depende da massa (e aqui o youtube é mais poderoso) para impressionar os jurados de um programa de televisão ou um "Investidor", e o músico erudito depende de um Zubin Mehta dizer "I liked".

 O Daniel Kahneman também conclui que a dor psicológica da possibilidade de perder é maior que a probabilidade ou promessa de ganhar: segundo o Kahneman, essa é razão que faz as pessoas jogarem na loteria (possibilidade de deixar de ganhar), mandarem flores e/ou presentes depois de terem sido abandonados(as) (possibilidade de deixar de ganhar) ou estudarem muito para passar numa prova (possibilidade de perder o prêmio ou a vaga). Psicologicamente, a probabilidade da perda dói infinitamente mais do que a promessa do ganho: logo, sugiro que músicos indecisos estabeleçam outros parâmetros de fontes de renda, assim, a dor psicológica de deixar de ganhar (e aumentar o consumo e conforto material) em outra atividade ou trabalho vai obrigar o músico a decidir com bases em seus planos de vida.

 Então, amigo músico que trabalha com Logística, se o seu caso não é nem um (popular) nem outro (erudito), sugiro que você faça um belo MBA em Logística e Supply Chain (que tende a ter um melhor e maior impacto sobre a sua renda e estabilidade financeira no médio prazo), faça uma diplomacia com o seu gerente, passe mais tempo com a sua mulher e filho e economize com ensaios, horas de estúdio, combustível, instrumento musical e outros imprevistos lindos. Lógico: você pode também estar tocando na noite num bar para esquecer os problemas e sair um pouco das garras daquela pessoa de 140 kilos para quem você jurou lealdade e fidelidade na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença.

  Decida.

     Abração.


Mande você também o seu "causo", que poderemos analisar aqui. Sigilo absoluto.
capitalismoglobalizado@gmail.com
    
Referências:

 http://www.saraiva.com.br/rapido-e-devagar-duas-formas-de-pensar-4074748.html

 http://www.mozarteum.at/en/museums/mozarts-birthplace.html

 http://portal.fmu.br/ead/pos-graduacao/curso/804/mba-em-logistica-e-supply-chain.aspx

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Zubin_Mehta

 http://www.zapmusico.com.br/musico.php?idc=3481

 https://www.youtube.com/watch?v=KxXvhVqEGSE

 http://www.justinbiebermusic.com/

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Wolfgang_Amadeus_Mozart

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Itzhak_Perlman

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9mio_Nobel

 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=269293



Qual é a idéia ?



    Oi ! Sou o mesmo autor do blog capitalismoglobalizadoepragmatismo.blogspot.com.br

     Pois é... sou uma dessas pessoas que nasceu entre 1975 e 1985 e, desde então passei por várias instituições educacionais como o KUMON (Matemática) e faculdades como Direito (UNIP e UNINOVE), Engenharia Civil (POLI-USP), Engenharia Elétrica dentre outros, e até comecei a cursar Filosofia na USP (FFLCH-USP), mas a falta de grana e tempo me fizeram seguir sem me formar (como ocorreu com a POLI-USP). Me graduei em Direito (UNIVONE), e hoje sigo com minhas consultorias empresariais e orientações filosóficas (seja lá o que for isso).

    Se você não tem problemas, aflições ou conflitos internos e/ou externos, parabéns ! Você morreu ! No mundo real material, onde você existe (se não morreu ou se está numa dimensão paralela da Física Teórica) todos estamos submetidos às forças Políticas, Jurídicas, Econômicas, Sociais, Familiares, Culturais, Físicas, Sexuais, Fisiológicas e /ou Psicológicas que governam a natureza e todo o universo.

   Assim, nesse contexto, vou postando coisas aqui que são cotidianas e profundas, porque as coisas mundanas são profundas, e as coisas profundas são cotidianas ao mesmo tempo, né ? Não tenho a preocupação nem a intenção deliberada de observar aqui nenhum rigor acadêmico, ou mesmo achar que sou o messias que vai fazer a dona de casa entender Kant, Merleau-Ponty, Quine, Robert Nozick, von Mices, Jung, Freud, Nash, Schrödinger, Hegel, a Hipótese Riemann ou Celso Furtado, dentre outros e outros. Porém, quando for o caso de citar um desses doidos aí pra descrever ou analisar um caso concreto, cito e pronto. Então, a idéia é essa: escrever sobre tudo, sem ter a pretensão de nada, desde que a reflexão, a provocação, a informação, a crítica e o raciocínio sejam ativados embaixo dos seus cabelos (ou careca) e na sua vida.

   A mistura da linguagem coloquial com o vernáculo é a minha marca, dependendo do contexto, da emoção, da complexidade e do assunto. Neste termos, vamo nessa !

   Não fazendo mal a ninguém e nem inventando mentiras (por isso, sempre que possível, ponho abaixo as Referências que brotam do Google), não vejo problemas em seguir com minhas reflexões inofensivas aqui, sempre tendo como temática a Ciência e a Filosofia. Posso fazer consultas (desde que a sua pessoa seja maior de 18 anos) por e-mail e/ou facebook ou outras formas tecnologicamente análogas. Se conselho fosse útil, as pessoas vendiam: exatamente por essa razão que vou escrever as coisas "de grátis" aqui, MAS se você quiser que eu resolva ou opine num problema pessoal e exclusivamente seu, é lógico que o "modo capitalista" será ativado (mas de forma acessível... fique tranquilo(a) ).

   Se quiser, me escreva sobre problemas pessoais seus ou do seu interesse (não precisa se identificar... pode ser anônimo), e eu vou analisando e escrevendo (sem citar nomes reais de ninguém, se eventualmente o(a) leitor(a) se identificar) minhas conclusões e reflexões sobre os casos mais interessantes aqui nesse blog: capitalismoglobalizado@gmail.com
 
   Se você ainda tá lendo, é que de fato talvez possamos colaborar mutuamente.

      Abração.

          Valeu.


       Contato: capitalismoglobalizado@gmail.com